Sistema Operacional Linux Ubuntu completa 10 anos

Há dez anos, em 20 de outubro de 2004, a então startup Canonical e seu fundador Mark Shuttleworth lançavam a primeira versão estável do Ubuntu. Chamada de Warty Warthog, a edição 4.10 do sistema operacional baseado no Debian inaugurava as tradições de nomes estranhos – sempre um adjetivo seguido do nome de um animal com a mesma inicial – e de atualizações semestrais, desenvolvidas no começo por um grupo composto basicamente de membros do Debian Project.

O britânico Scott James Remnant era um deles, e publicou em seu blog, Netsplit, um ótimo texto sobre o processo de criação do Ubuntu 4.10. Em 2004, o então mantenedor do pacote dpkg do Debian foi contatado por Shuttleworth. O desenvolvedor brinca que o e-mail lembrava um spam daqueles enviados por “príncipes nigerianos”, e vinha seguida de um texto mais sério, com a proposta.

Remnant aceitou o convite, e, segundo ele, foi logo convidado a um canal “super-secreto” no IRC, cujo tópico era “meu chefe é um cosmonauta” – uma referência à experiência espacial de Shuttleworth. Junto dos nomes das versões do SO e dos e-mails, o título era mais uma das muitas peculiaridades que ainda hoje cercam o desenvolvimento do software.

Além dessas curiosidades, o desenvolvedor inglês ainda cita as reuniões da “Super Secret Debian Startup”, como ficou conhecido inicialmente o grupo de ex-membros do Debian Project. A primeira, aliás, começou em um labiríntico hotel em Londres (como dá para ver abaixo) antes de parar no apartamento do fundador da Canonical e envolver até a esposa do agora CEO.

Foram oito meses de aventuras similares, de acordo com o relato de Remnant, até a conclusão do “primeiro” Ubuntu. No texto, o britânico ainda fala da primeira convenção à qual a equipe compareceu – a DebConf, aqui no Brasil –, do “protótipo” da Ubuntu Developer Summit e do wallpaper usado no desktop do primeiro beta – um trio de pessoas nuas abraçadas, formando o símbolo do SO.

Esta última ideia foi, felizmente, deixada para trás após Shuttleworth (o responsável por ela) ouvir as críticas vindas da comunidade. O grupo de apoiadores e entusiastas, por sinal, cresceu consideravelmente até o lançamento do Ubuntu 5.04 – e bem mais do que os idealizadores esperavam, segundo o texto do desenvolvedor britânico.

A popularidade continuou e o sistema seguiu como a distribuição de Linux mais popular pelo menos até 2011, quando Remnant saiu da Canonical. Hoje, no entanto, o posto foi tomado pela comunidade do Mint Linux, sistema derivado do próprio Ubuntu, segundo ranking do site DistroWatch. Mas isso nem de longe significa o fim do SO aniversariante, que ganhará no ano que vem sua versão 15.04, a Vivid Vervet, segundo anúncio feito justamente nesta última segunda-feira.

O nome “Ubuntu” AFI: [u’buntu] deriva do conceito sul africano de mesmo nome, diretamente traduzido como “humanidade com os outros” ou “sou o que sou pelo que nós somos”.

Arcebispo Desmond Tutu no livro “No Future Without Forgiveness” (em português: “Sem Perdão Não Há Futuro”), escreveu:

“Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível para outros, apoia os outros, não se sente ameaçada quando outros são capazes e bons, baseada em uma autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela pertence a algo maior e é diminuída quando os outros são humilhados ou diminuídos, quando os outros são torturados ou oprimidos.”


Fonte: Info Abril